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'Aquarium Materialis' no JARDIM Gulbenkian, a 19 de Junho!

Published31 May 2011

Tags concerto jardim música pedro carneiro victor gama

AQUARIUM MATERIALIS (Pangeia Instrumentos), fotografados por MJ 

Porque não queremos que perca mais um concerto único, relembramos que já pode adquirir o seu bilhete on-line para assistir ao AQUARIUM MATERIALIS, com Victor Gama e Pedro Carneiro (Angola-Portugal)!

Victor Gama tem construído o seu trabalho em torno de rituais entre tecnologia e Natureza. Não é necessário conhecer bem a fundo a sua biografia para se perceber que as suas raízes estão no continente negro. Victor Gama utiliza a sua música e os seus magníficos instrumentos – criados por si e que sobrevivem gloriosamente como singularíssimas obras de arte – como veículos criativos e tradutores desse mundo, dando origem a uma música que, embora singular, não deixa de ser também universal. Os fantásticos instrumentos que Pedro Carneiro e Victor Gama apresentam no Jardim da Gulbenkian são peças que se ancoram ao solo, sobrevoam o espaço e usam o espelho de água do lago como superfície interlocutora. É uma mediação perfeita entre os instrumentistas e a fauna e flora. Separada em duas partes, a peça divide-se entre opostos, reflectindo, mais uma vez, a dicotomia da natureza: uma parte diurna, repleta de vida, cheia de cores e de luz, vibrando intensamente; e uma parte nocturna, em que o mistério impõe que nos percamos em fantasias, deixando que o imaginário e as palavras tomem conta da nossa percepção.

Este concerto é composto por duas partes que terão lugar no JARDIM da Gulbenkian, no próximo dia 19 de Junho (Domingo), às 19h (parte 1) e às 22h (parte 2).

Para saber mais sobre Pedro Carneiro, Victor Gama e Aquarium Materialis/Pangeia Instrumentos, basta clicar aqui, aqui e também aqui.

Stay in Love, com NICOLAS JAAR

Published30 May 2011

Tags alfredo jaar chile música nicolas jaar

Nicolas Jaar, filho do prestigiado artista chileno Alfredo Jaar (que na sexta-feira passada inaugurou em Lisboa "Cem vezes Nguyen"), continua a fazer furor na cena 'electrónico-intelectual'. Mais Nicolas Jaar para ouvir por aqui para os que não puderem ouvi-lo ao vivo no dia 2 de Junho em Lisboa (no Lux), ou a 14-16 de Julho na Praia do Meco (Festival Super Bock Super Rock)

Rua Europa: entrevista a António Pinto Ribeiro sobre "FRONTEIRAS"

Parte de "Mosaico-Mundo" (2005-2009), de Saïdou Dicko, na exposição "Fronteiras" 

"Levantamos poeira ao trauma do colonialismo, entre europeus e africanos, ancorados nos Encontros de Fotografia de Bamako na Gulbenkian. Entrevista a António Pinto Ribeiro", aqui.

algumas notícias sobre FRONTEIRAS e visita guiada este domingo

Published27 May 2011

Tags fotografia fronteiras imprensa visitas guiadas

(in jornal Expresso, 21.05.2011, por Celso Martins) 

Alguns dos artigos que têm saído na imprensa sobre "FRONTEIRAS" (exposição central dos 8.ºs Encontros de Bamako/MALI, em exibição no edifício-sede da Fundação Calouste Gulbenkian até 28 de Agosto de 2011) também podem ser consultados através dos seguintes links:

Público  (13.05.2011), por Lucinda Canelas

Jornal de Negócios (13.05.2011), por Lúcia Crespo 

Sol (13.05.2011), por Telma Miguel 

Diário de Notícias (15.05.2011), por Maria João Caetano 

Visão (26.05.2011), por Cláudia Almeida 

E lembramos que este próximo Domingo (dia 29 de Maio), às 15h30, haverá uma visita guiada à exposição por Lúcia Marques, na qual se contextualizará o conceito e as opções de montagem dos 8.ºs Encontros de Bamako na Gulbenkian de Lisboa, articulando a produção fotográfica desta bienal de fotografia com os trabalhos em vídeo nela incluídos. Sendo um Domingo, dia da semana em que a entrada na exposição é sempre gratuita, apenas terá que levantar o seu bilhete na recepção.

Mais informações sobre horários, bilheteiras, contactos, aqui.

Notícias de Moengo, SURINAME: "Monument for Transition" (2011)

Published27 May 2011

Tags américa do sul artes visuais moengo suriname

Notícias de Moengo, no Suriname, a propósito de "Monument for Transition" (2011), para ler aqui.

Quand les artistes se jouaient de Ben Ali...

Published26 May 2011

Tags artes performativas ben ali revolução tunísia

Na foto: "Pied de danseuse by oliviergendrin via Flickr CC. (...) Ils ont usé de paraboles, mis en avant le langage corporel, diffusé sur Internet: les artistes tunisiens ont contourné la censure de Ben Ali pendant plus de vingt ans. Et contribué à la révolution." (para continuar a ler aqui)

LAGOS PARTY: Africa's new music stars

Published26 May 2011

Tags filme lagos música nigéria

"Dazed travelled to Lagos, Nigeria to make this short film with some of Africa's hottest young music stars..." (para continuar a ler, clicar aqui).

What is Contemporary Lusophone African Art?

OPEN CALL FOR PAPERS TO A SPECIAL ISSUE OF THIRD TEXT
Guest Editors: Paul Goodwin & Lúcia Marques

One of the most striking aspects of the globalization of the art world is the massive increase in interest in the work of contemporary African artists. This has been reflected in the spectacularly enhanced presence of African artists in global Biennial exhibitions, museum collections and in commercial galleries and art fairs. The tremendous growth of interest in contemporary African art has been matched by a deluge of scholarly texts, journals and books dedicated to this subject such as the important, encyclopedic collection ‘Contemporary African Art Since 1980’ by Okwui Enwezor and Chika Okeke-Agulu (2009, Damiani Press).

However on closer inspection it is apparent that the geographies of African art presented in these studies is skewed towards an Anglophone (and Francophone to a lesser extent) perspective of ‘contemporary African art’. In particular ‘Lusophone’ Africa is poorly represented if at all. Although there are several Lusophone artists in Enwezor and Okeke-Agulu’s anthology, there is no analysis of the specific context of Lusophone African art production in the text. ‘Lusophone’ is not even mentioned in the index. This absence or neglect is, in fact, quite common in presentations of contemporary African art in the English speaking world. This lacuna is one of principal rationales driving this Special Issue of Third Text.

We start with a question that is simple in appearance but tellingly complex at the same time: What is contemporary Lusophone African art? Under question here are a number of key terms that need to be unpacked if we are to address this issue in a critical and challenging way: ‘contemporary’, ‘Lusophone’, ‘African’ and ‘art’. Each term is contested territory in its own right but in bringing them together within an interrogative form we are striving to open up a discursive platform in which these complex terms can be debated, critiqued and repositioned. For example, so-called ‘Lusophone Africa’ is not a seamless whole. It includes a variety of countries each with very different social, political and cultural histories. In acknowledging this complexity, it is the hope of the editors that a significant gap in the geography of knowledge production of contemporary African art can begin to be addressed and in turn generate more research and debate across language and cultural borders.

Contributors to this special issue of Third Text are invited to present papers and book reviews that addresses this question: “What is contemporary Lusophone African Art?”. By questioning the label of “contemporary Lusophone African Art” we intend to gather a number of manuscripts that can debate the existence of an artistic production with a circumscription mainly related to a colonial language heritage.

This geographical focus which relates to the international circulation of young artists coming from Portuguese-speaking African countries will be the starting point to question the on going mapping of “Lusophony”, “Francophony”, “Anglophony” by ex-colonial powers under the pretext of “shared” languages and cultures. This is frequently seen either as “neo-colonial” appropriation by institutionalised powers (especially in political events), or as a strategic entry point into the international artistic circuits that some artists can take advantage of.

In this sense, a reflection about “contemporary Lusophone African Art” in a post-colonial context should also stimulate a variety of studies by authors beyond the “Lusophone” cartography, encouraging perspectives from the various “Africas”. We call for contributions which favour a transdisciplinary approach, including comparative studies, giving priority to those which, under a theoretical or empirical perspective, question the conceptual bases, the possibilities, the limits and the borders of “contemporary Lusophone African Art”.

The following are some themes and questions suggested by the editors to be addressed by potential contributors. These suggestions arise from the editors research and discussion and are by no means exhaustive:

1) Does “contemporary Lusophone African Art” exist?;

2) (De)construction of African Identities through artistic expressions;

3) The role of art as interface between trends and imported cultural models;

4) Art and political intervention;

5) Artistic responses to war, conflict an armed struggle: the relationship of artistic production to independence movements;

6) Notions of diaspora, ‘race’ and national identity. Is there a Lusophone ‘South Atlantic’ that links Africa, Brazil and Portugal that is analogous to Paul Gilroy’s ‘Black Atlantic’?;

7) Rise of biennials and triennials (eg. Luanda Trienniale). How does “Europe” contribute to the project of “African Art” in Lusophone contexts?

This special issue invites contributions, not exceeding 6000 words in length, from artists, art historians, theoreticians and intellectuals interested in exploring through original manuscipts any of the issues pertaining to “What is Contemporary Lusophone African Art?”. The authors’ names and corresponding bibliographic references (500 characters max.) must be included in the document’s title page, which must also have the authors’ institution. The submitted manuscripts must be accompanied by five keywords and when preparing the manuscripts, authors must observe the formatting and the submission regulations of Third Text journal, available at http://www.thirdtext.com/authors-guidelines/. Manuscripts must be submitted in English.  In exceptional circumstances only we may be able to provide some help for translation of texts.

Abstracts written in English, (500 words max.) including the manuscript’s title, should be sent by email attachment no later than 21st July 2011 to the Guest Editors Paul Goodwin & Lúcia Marques at goodwinandmarques@gmail.com (upon acceptance, final papers are due by 1st February 2012).

The Editors: Paul Goodwin is a curator, urban theorist and researcher. He is an Associate Research Fellow at the Centre for Urban and Community Research, Goldsmiths College and Curator, Contemporary Art at Tate Britain. Lúcia Marques is a Lisbon based independent curator. She is President of XEREM cultural association (Triangle Network) and a member of AICA-International Association of Art Critics. +INFO = http://www.thirdtext.com/

Dia de África, Dia de BUALA!

"Nenúfares", de Nuno Awouters (série fotográfica na nova Galeria BUALA)

BUALA iniciou actividade a 25 de Maio de 2010, dia de África, e faz agora um ano de existência. Os comentários positivos e a vasta adesão dos leitores e colaboradores, de todos os países de língua portuguesa e de muitos outros lugares do mundo, tem sido um sinal de que esta é uma plataforma necessária e desejada, afirmando-se como um canal de reflexão e divulgação importante no âmbito da cultura africana contemporânea.


Trata-se do primeiro portal multidisciplinar de reflexão, crítica e documentação das culturas africanas contemporâneas em língua portuguesa, com produção de textos e traduções em francês e inglês. Buala (em quimbundo Bwala) significa casa, aldeia, a comunidade onde se dá o encontro. A geografia do projecto responde ao desenho da proveniência das contribuições, certamente mais nómada que estanque. A língua portuguesa, celebrada na diversidade de Portugal, Brasil e Áfricas, dialoga com o mundo. Buala.org pretende inscrever a complexidade do vasto campo cultural africano em acelerada mutação económica, política, social e cultural. Entendemos a cultura enquanto sistemas, comunidades, acontecimento, sensibilidades e fricções. Políticas e práticas culturais, e o que fica entre ambas. Problematizar questões ideológicas e históricas, entrelaçando tempos e legados. No fundo desejamos criar novos olhares, despretensiosos e descolonizados, a partir de vários pontos de enunciação da África contemporânea. Buala.org concentra e disponibiliza materiais, imagens, projectos, intenções, afectos e memórias. É uma plataforma construída para as pessoas. Uma rede de trabalho para profissionais da cultura e do pensamento. Artistas, agentes culturais, investigadores, jornalistas, curiosos, viajantes e autores, todos se podem encontrar e habitar este Buala.

A assinalar o seu primeiro aniversário encontra-se agora on-line também uma nova secção dedicada a Ruy Duarte de Carvalho que resulta de uma "vontade de reunir materiais de vários autores da nossa língua para promover o debate a partir de obras e figuras de excepção. O escritor Ruy Duarte de Carvalho é o primeiro, pela admiração, amizade, entusiasmo e colaboração que deu ao projecto BUALA, considerando-o um espaço de encontro fundamental para trocar propostas e consolidar pesquisas" (para continuar a ler aqui).

Outra novidade igualmente significativa: a secção Donativos, relembrando as mais diversas formas, por vezes tão simples e cruciais, de contribuir para que este projecto continue.

PARABÉNS Buala!

(Alguns) NÚMEROS buala12 meses de existência
8 secções + 1 galeria+ Blog
287 autores
 / colaboradores
625 artigos (inéditos e reedições) com imagens sobre África
15 exposições/ galerias artistas africanos contemporâneos
+ de 1300 Post no blog DÁFALA
3211 Fãs no Facebook
307 Seguidores no Twitter
400 Subscritores RSS
149 086 visitas (de 25 Maio 2010 a 23 de Maio 2011) 

reescrever a história: chegou a vez de... LYGIA PAPE!

 

Hoje, às 20h de Madrid, foi inaugurada no Museo Reina Sofia a tão aguardada retrospectiva de uma das mais importantes artistas da contemporaneidade: a genial, brasileira, LYGIA PAPE (Nova Friburgo, 1927 - Rio de Janeiro, 2004). 

A mostra abriu simbólicamente com a realização da performance que a artista apresentou pela primeira vez no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, ainda em 1968, intitulada "Divisor" (na foto), com a qual pretendia levar a cabo um trabalho colectivo que não dependesse exclusivamente da sua presença. Pape convidou cada observador a colocar a sua cabeça nos orifícios existentes num enorme tecido branco, que assim ligava todos os participantes como se fizessem parte de um corpo único, apenas se distinguindo/dividindo pelas cabeças que assomavam em cada abertura. Mas esta estratégia de apropriação criativa do espaço público (e da vida urbana) é apenas um dos muitos fios condutores de uma exposição que promete reavaliar internacionalmente um percurso ainda pouco conhecido fora do Brasil.

"LYGIA PAPE, Espacio Imantado" reúne cerca de 250 obras, entre pinturas, relevos, xilografias e performances, apresentadas através de objetos, vídeos e fotografias, assim como uma abundante produção cinematográfica, cartazes de filmes, poemas, colagens e documentos, que estarão expostos até 3 de Outubro de 2011. (continuar a ler sobre a exposição no Museo Reina Sofia, aqui)

E para saber mais sobre a Lygia Pape:

Projecto Lygia Pape (Associação Cultural organizada ainda em vida pela própria artista)

Enciclopédia Artes Visuais (Itaú Cultural) 

Lygia Pape (primeira exposição individual em Portugal, na Galeria Canvas, Porto, 1999; na qual a própria Lygia montou uma "Tteia" de canto)

Lygia Pape em "Um Oceano Inteiro para Nadar" (Culturgest, Lisboa, 2000; tendo sido adquirida a obra "Banquete Tupinambá", do mesmo ano, para a Colecção da CGD)

Lygia Pape (mostra antológica no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto, 2000)

"Lygia Pape. But I Fly" (exposição individual póstuma, na Galeria Graça Brandão, Lisboa, 2008)

Lygia Pape, 'Tteia I, C' (Bienal de Veneza, 2009)

Excerto do artigo publicado no jornal Expresso em Novembro de 2000, a propósito da exposição da artista em Serralves (na sequência da primeira individual na Canvas, em 1999, na qual foi possível testemunhar a montagem de uma 'Ttéia' de canto pela própria Lygia Pape):

LYGIA PAPE desde cedo integraria o Grupo Frente através de Ivan Serpa, com quem estudara, situando-se na dissidência carioca do Movimento Concreto brasileiro ao lado de outros artistas como Lygia Clark e Hélio Oiticica.

A sua obra inicial, das «Pinturas» aos «Relevos» realizados entre 1954/56, ensaiou primeiro o questionamento do suporte bidimensional, dissecando as relações sintáticas entre linha, forma e cor na obra pictórica, para partir à conquista do espaço aberto, animado pelos ritmos que sugerem a progressão da construção geométrica e pela flutuação dos motivos num campo alargado, sugerido para além das margens do plano pictórico.

Essa pesquisa centrada nos limites da pintura, e paralela às propostas de Oiticica e Clark, levaria Pape em direcção ao espaço real, não restrito ao carácter físico da obra em si, mas intervencionado de modo a constituir a parte de um ambiente específico, capaz de promover uma experiência sensorial plena e interactiva junto do espectador.

Deixa-se a tela, o muro, para ganhar o carácter multifacetado da vida. Recusa-se o exclusivo visual em favor da fruição multisensorial, promovendo o observador a agente activo, potenciador dos sentidos e significados últimos da obra de arte. Dos «Poemas Luz» e «Poemas Objectos», de finais dos anos 50, aos seus «Livros» - da Criação, da Arquitectura, do Tempo, já na viragem dos anos 60, é toda uma componente escultórica que se reforça, possibilitando o manuseamento do objecto, aliada à invenção de um léxico sem palavras. São formas e cores a conjugar pelo espectador-participante.

Outros trabalhos, como «Divisor» e «Ovo», ambos de 68, figuram como adereços expectantes, dependentes da acção humana para a sua efectivação. Outrora funcionaram como albergues de bailarinos ou músicos de samba, habitados em contextos performáticos de que agora apenas temos o registo documental como memória. Feitos de tecidos ou malhas tornadas membranas, cascas elásticas e frágeis vocacionadas para o envolvimento corporal total, não deixam de lembrar o vestuário para sambar de Oiticica («Parangolés»), as suas construções abertas a todas as sensorialidades («Penetráveis») ou mesmo os abrigos sinestésicos de Clark («Ninhos» e «Cosmococas»). A membrana que assim se resolve em divisões relativas e translúcidas remete ainda para as várias «Tteias» que Pape realizou já na década de 90, atestando uma inventividade inesgotável e a extrema coerência de uma obra desenvolvida ao longo de 50 anos de actividade.

A exposição permite ainda conhecer as suas incursões no domínio da dança e do cinema, apresentando os sólidos geométricos que pontuaram o espaço cénico dos seus «Ballets Neoconcretos» (1958/59) e integrando no ciclo de cinema brasileiro algumas das filmagens realizadas pela artista nas décadas de 60 e 70, dando expressão à riqueza transdisciplinar das suas propostas. Lúcia Marques

Mais sobre o que aí vem: Orquestra Gulbenkian e convidados!

E se a programação de teatro é iniciada a 16 de Junho, com a estreia de “Woyzeck on the Highveld”, a de música começa logo a 18 de Junho (às 21h30), no Anfiteatro ao Ar Livre, com um concerto único da Orquestra Gulbenkian, o Drumming – Grupo de Percussão e Matchume Zango (Timbila de Moçambique), tendo Pedro Neves por Maestro.

Este concerto, interpretado por uma orquestra sinfónica e um grupo de percussão, leva-nos numa viagem pelo tempo e pelo espaço. Steve Reich dá o tom: um tambor é tocado por um homem. Podia ser o primeiro som do trabalho de corte de madeira.  A seguir, outro homem junta-se, reage ao primeiro – e temos comunicação, temos música. Música que, desde as suas origens, em África, se desenvolveu de forma, sabe-se hoje, muito diversificada. É tão simples. Pode-se ter tornado mais complexa na música formalizada de Xenakis, baseada em elaborados cálculos de probabilidades matemáticas. Mas o que ouvimos não são algoritmos, o que ouvimos são sons e combinações de sons e ritmos. Apesar de tudo, Xenakis era um romântico que também adorava Brahms.

Neste concerto, debaixo dos céus nocturnos, abraçados pelos sons que se movem à nossa volta, somos provocados pelas origens da música e pela visão do desconhecido. Chamemos-lhe futuro, se quisermos.

Programa

Steve Reich, Drumming: Part I

Marlos Nobre, Concerto N.º 2/a para 3 Percussões e Orquestra, Opus 109a (versão encomendada pelo grupo Drumming, a quem Marlos Nobre dedica a partitura)

(Sem Autor) Timbila, Música Africana para Percussão

Iannis Xenakis, Pithoprakta

Gyorgy Ligeti, Romanian Concerto

Mais sobre a Orquestra Gulbenkian aqui e a biografia do Maestro Pedro Neves por aqui. Encontram o site do próprio Marlos Nobre, com informação detalhada sobre o seu percurso como compositor, aqui e outro atalho, desta vez para o “my space” do Drumming – Grupo de Percursão aqui.

Notas de Matchume (Zango) aqui e sobre a Timbila (Muzimba) Moçambicana por aqui.

E já podem adquirir os vossos bilhetes on-line, aqui mesmo.

Um Amor Imenso

Published23 May 2011

Tags amor ana paula rodrigues angola fotografia

"Um amor imenso", foto de Ana Paula Rodrigues, em Angola.

Para saber (quase) tudo sobre o Mediterrâneo

Published23 May 2011

Tags mediterrâneo tahir

 Na foto: Praça TAHIR, via Ahmed el Attar

Para saber (quase) tudo sobre o Mediterrâneo, aqui.

Visita à exposição "FRONTEIRAS", também neste próximo domingo

Published20 May 2011

Tags bienal fotografia fronteiras visitas guiadas

Reportagem editada pela OSTV a propósito de "Fronteiras": exposição que foi central nos 8.ºs Encontros Fotográficos de Bamako (Mali), actualmente patente ao público no edifício-sede da Gulbenkian, em Lisboa.

Aproveitamos para lembrar que este próximo Domingo (dia 22 de Maio), às 15h30, haverá uma visita guiada à exposição por Lúcia Marques, na qual se contextualizará a vinda a Portugal desta Bienal de Bamako, colocando um enfoque especial na afirmação da chamada "fotografia africana".

Sendo um Domingo, dia da semana em que a entrada na exposição é sempre gratuita, apenas terá que levantar o seu bilhete na recepção.

Mais informações sobre horários, bilheteiras, contactos, aqui

A banda mais bonita da cidade


(via Factmag)

HUASIPICHAY: artistas do Equador

Published20 May 2011

Tags artes visuais brasil equador huasipichay

Artistas do Equador (na foto, no segundo dia de montagem em São Paulo, Brasil), para ver aqui.

Huasipichay é uma festa, um encontro, um convite. No mundo andino, o termo (etimologicamente Huasi- casa, Pichay- varrer, ou limpar) é utilizado para celebrar uma abertura: a inauguração e limpeza de uma casa após um processo comunitário ou mutirão.
Uma casa é um lugar de confluência. A unidade básica da cidade, o átomo urbano e também um refúgio pessoal que pode ser compartilhado.
Neste projeto, o conceito de Huasipichay foi adotado como o detonador para um processo de colaboração entre os participantes, a partir de seus universos pessoais. Além disso funciona como método de inter relação pelo qual os diferentes entornos individuais se cruzam e se contaminam. Neste cruzamento se produzem leituras socio-culturais provenientes de duas latitudes diferentes: Uma na altura dos Andes e outra, quase ao nível do oceano Atlântico.

Mais sobre o projecto HUASIPICHAY, por aqui.

Mais JUNHO: Handspring Puppet Company, com William Kentridge

  

Ainda no dia 16 de Junho (quinta-feira), às 21h30, começa a programação de espectáculos do PRÓXIMO FUTURO, com uma adaptação da peça “Woyzeck” (de Georg Buchner) pela famosa companhia de teatro de marionetas Handspring Puppet Company: direcção de Adrian Kohler e Basil Jones, em colaboração com o artista e encenador sul-africano William Kentridge.

“Woyzeck on the Highveld” volta a subir ao palco da sala polivalente do CAM da Gulbenkian nos dias 17 de Junho (sexta-feira), às 21h30, e 18 de Junho (sábado), às 19h.

Mais links para conhecer “Woyzeck on the Highveld”:

Handspring Puppet Company 

William Kentridge’s biography and film

“Woyzeck on the Highveld”: video, audio, press, links and more 

E que mais há de imperdível em JUNHO?

ACHILLE MBEMBE no Centre for Creative Arts (University of KwaZulu-Natal)

Em Junho, esperamos que se junte a nós logo no dia 16 (quinta-feira), às 17h00, na inauguração das intervenções propostas para o JARDIM da Gulbenkian pelos artistas Bárbara Assis Pacheco (Portugal), Délio Jasse (Angola), Isaías Correa (Chile), Kboco (Brasil), Nandipha Mntambo (África do Sul), Rachel Korman (Brasil), e o colectivo Raqs Media (Índia).

No dia seguinte, 17 de Junho (sexta-feira), às 09h30, terá início a segunda parte das LIÇÕES do Próximo Futuro (2011), reunindo investigadores, poetas e professores de diversas geografias (Brasil, Camarões, EUA e Portugal), em torno de reflexões sobre “Democracia e a Ética do Mutualismo” (a partir da “experiência Sul-africana”), “Qual o futuro próximo da Poesia?”, “As grandes incertezas da historiografia africanista” e “Produção, utilização e partilha do conhecimento na economia global”.

Alguns links (complementares às respectivas bios no Jornal) para conhecer os conferencistas de dia 17 de Junho:

Achille Mbembe (Camarões)

What is a postcolonial thinking?

Donors have a simple notion of development

The invention of Johannesburg

Eucanaã Ferraz (Brasil)

Não saberia dizer a hora…

Entrevista

Errática

Margarida Chagas Lopes (Portugal)

Entrevista Antena 1

Desemprego e Interioridade

Principais actividades e trabalhos em Economia da Educação e da Formação

Ralph Austen (EUA)

The Department of History

Trans-Saharan Africa in World History

Postcolonial African Literature

“FRONTEIRAS” no Dia Internacional dos Museus e em breve no Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian...

Zanele MUHOLI (África do Sul), série “Miss Divine” (2008) 

E porque hoje, 18 de Maio, é o Dia Internacional dos Museus, agendamos para si uma visita guiada à exposição “Fronteiras” (8.ºs ENCONTROS DE BAMAKO, a mais importante bienal de fotografia africana contemporânea), actualmente em exibição no edifício-sede da Fundação Calouste Gulbenkian no âmbito do programa PRÓXIMO FUTURO

A visita guiada é gratuita, será conduzida por Lúcia Marques, terá início às 18h00 (com a duração de uma hora) e o ponto de encontro será na recepção da sede da Gulbenkian.

SINOPSE da visita guiada (18 de Maio, das 18h às 19h)
Apresentação geral da exposição que constituiu o núcleo central dos 8.ºs Encontros de Bamako, a mais importante bienal de fotografia africana contemporânea. A visita contextualizará o tema da mais recente edição destes Encontros, incidindo também sobre as opções de montagem e diversidade de propostas dos autores representados. 

Em breve, e mais concretamente a 16 de Junho, o programa PRÓXIMO FUTURO inaugurará um conjunto de instalações e intervenções nos espaços do Jardim da Gulbenkian, de modo a dar continuidade ao contacto com a arte, equacionar a importância e pertinência deste tipo de criação e sugerir pistas de abordagem à relação das técnicas da jardinagem com as práticas artísticas contemporâneas.

O público frequentador dos espaços da Fundação Calouste Gulbenkian, e os novos visitantes, encontrarão então as propostas de arte pública desenvolvidas pelos artistas Nandipha Mntambo (“Casulo – Cocoon”), Kboco (“Abrigo Sublocado”) e pelo colectivo Raqs Media (“However Incongruous”), a par das intervenções artísticas de Bárbara Assis Pacheco, Rachel KormanIsaías Correa e Délio Jasse nos Chapéus-de-sol concebidos pela arquitecta Inês Lobo.

Os textos de apresentação bem como as notas biográficas dos artistas já estão disponíveis tanto no site como no jornal do PRÓXIMO FUTURO.

Eis outros links úteis para a navegação sobre o que aí vem…

Nandipha Mntambo (África do Sul)

Artthrob News 

David Krut Publishing 

Michael Stevenson

Kboco (Brasil)

Lost Art 

Na Bienal 

Galeria Marilia Razuk 

Raqs Media (Índia)

Raqs Media Collective 

Launch conversation with Raqs Media Collective

Frieze Magazine

Bárbara Assis Pacheco (Portugal)

Rachel Korman (Brasil)

Isaías Correa (Chile)

Délio Jasse (Angola)

já à vista na sede da Gulbenkian: Bamako-Lisboa!

Breve reportagem sobre a exposição "Fronteiras" (8.ª Bienal de Bamako/MALI), apresentada pelo Programador-Geral do PRÓXIMO FUTURO

A mostra foi inaugurada na 6f.ª passada, tendo contado com a presença de 739 pessoas! Durante o seu primeiro fim-de-semana recebeu 1088 visitas: 200 no Sábado e 888 no Domingo (dia em que a entrada é gratuita).

visita guiada à exposição nesta 4f.ª, 18 de Maio (Dia Internacional dos Museus), das 18h às 19h. E nos próximos três Domingos - dias 22 e 29 de Maio e 5 de Junho -, sempre às 15h30, também já estão agendadas visitas guiadas por Lúcia Marques.

Aqui há um atalho para fazer download do Encarte da Exposição e aqui encontram o novo jornal do PRÓXIMO FUTURO, acabadinho de sair do prelo, já com toda a programação para Junho e Julho. 

Mais informações, bilheteiras on-line e contactos do PRÓXIMO FUTURO aqui.

Cultura Tunisina

Published16 May 2011

Tags cultura revolução tunísia

"A cultura tunisina faz a sua revolução": a ler aqui.

Ainda, "Fronteiras" várias...

Published16 May 2011

Tags fronteiras líbia refugiados

Refugiados da Líbia chegam a Lampedusa, notícia do Guardian para ler aqui.

Já saiu o novo número do JORNAL Próximo Futuro!

Já saiu o número 7 do Jornal do PRÓXIMO FUTURO! 

Atalho para download aqui.

E aproveitamos para lembrar que HOJE, às 16h30, as curadoras Michket Krifa e Laura Serani, responsáveis pelos 8.ºs Encontros de Bamako, dão uma visita guiada à exposição "Fronteiras"(inaugurada ontem no edifício-sede da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa). A visita será dada em francês.

O ingresso na exposição custa 4 Euros (excepto aos Domingos, que têm entrada gratuita). Mais informações sobre horários, bilheteiras, contactos, aqui.

Abertura de FRONTEIRAS e "Baile" na Garagem

Yo-Yo Gonthier, "O Vigia" (série "A Praia"), 2008.

Logo depois das Grandes Lições de hoje, há abertura às 22h das "Fronteiras" da 8.ª Bienal de Fotografia Africana de Bamako (Mali), em plena sede da Fundação Calouste Gulbenkian.

A questão das fronteiras mantém-se eminentemente actual e paradoxal num mundo em que, por um lado, se proclama e pratica o esbatimento das fronteiras mas, por outro, se erguem muros destinados a protegê-las. Com efeito, a globalização e o liberalismo económico impuseram a porosidade de determinados territórios, sem contudo impedir a multiplicação de medidas dissuasoras e repressivas para conter os fluxos migratórios, induzidos por outros imperativos. 

(Início do texto das curadoras da 8.ª Bienal de Fotografia de Bamako, Michket Krifa e Laura Serani, disponível no jornal da exposição)

E ainda nesta 6f, mas mais perto das 24h, começa o "Baile" na Garagem da Gulbenkian, com os DJ's Kenneth Montague e Lyndon Barry...!

VISITAS GUIADAS à exposição "Fronteiras":

14 de Maio (sábado), às 16h30: com as curadoras Michket Krifa e Laura Serani (em francês)

18 de Maio (quarta-feira, Dia Internacional dos Museus), às 18h00: com Lúcia Marques 

22 de Maio, 29 de Maio e 5 de Junho (domingos), às 15h30: com Lúcia Marques

(Encontram demais Informações, Calendário e Bilheteiras on-line no site do Próximo Futuro)

GRANDES LIÇÕES: dia 13 de Maio, às 09h30

A 1.ª parte das Grandes Lições deste ano têm lugar no Auditório 2 da Gulbenkian, já AMANHà(sexta-feira, dia 13 de Maio), a partir das 09h30, com a conferência de PATRICK CHABAL, dedicada ao "Racionalismo ocidental depois do pós-colonialismo". Seguir-se-ão as comunicações de KOLE OMOTOSO, sobre "A ambiguidade perigosa da tribo Wabenzi: Áfricas dos Próximos Futuros", e de YUDHISHTHIR RAJ ISAR, intitulada "Política Cultural: enfrentando uma hidra". Por razões alheias à organização do Próximo Futuro, o professor Breyten Breytenbach não poderá estar presente.

Para além dos diversos links que já aqui tivemos oportunidade de disponibilizar sobre os convidados desta 1.ª parte, vale a pena rever as respectivas sinopses das comunicações no site do Próximo Futuro. A entrada para assistir às Grandes Lições é livre e haverá tradução simultânea.

[Na foto: Patrick Chabal, autor de importantes sínteses históricas, políticas e culturais, de que são exemplo Vozes Moçambicanas: Literatura e Nacionalidade (1994), A History of Postcolonial Lusophone Africa (2002) e Africa: The Politics of Suffering and Smilling (2009)]

leituras sugeridas a partir da BIBLIOTECA de ARTE da Gulbenkian

E porque HOJE, em pleno Workshop sobre "O Estado das Artes em África e na América do Sul" (imperdível para quem se interessa por literatura, arquitectura, cinema, circulação cultural, fotografia, música, coleccionismo, nestas geografias), nas comunicações que começam às 14h30, há um destaque especial às exposições de "fotografia africana" – e mesmo em vésperas da inauguração da mostra "Fronteiras" –, eis uma sugestão de leituras possíveis na Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian:

A fiction of authenticity : contemporary Africa abroad  / essays by Orlando Britto Jinorio...[et al.] . - St. Louis : Contemporary Arts Museum, cop. 2003.

Africa remix : contemporary art of a Continent / [ed. lit.] Simon Njami ; with essays by Luci Durán... [et al.] ; and a dialogue between Marie-Laure Bernadac and Abdelwahab Meddeb. - Ostfildern-Ruit : Hatje Cantz, cop. 2005.

Africa : the art of a continent / edited by Tom Phillips ; [preface] Cornel West ; design Petra Lüer. - Munich ; London ; New York : Prestel, cop. 1999.

Afriphoto II. - Trézélan : Filigranes Editions, imp. 2005. - 1 pasta (4 v.)  (Collection Afriphoto ; 5-8. - 1o v.: Malick Sidibé. - 31, [1] p . - 2o v.: Bill Akwa Bétotè. - [32] p . - 3o v.: Omar D. - [32] p . - 4o v.: Fouad Hamza Tibin, Mohamed Yahia Issa. - [32] p.

Afterlife / ed. by Sophie Perryer . Cape Town : Michael Stevenson, 2007.

Amulets & dreams : war, youth & change in Africa / ed. by Omar Badsha ; photogr. by Guy Tillim & Omar Badsha ; text by Julia Maxted ; foreword by Amara Essy. - Pretoria : SAHO : ISS : UNISA, 2002.

Angaza Afrika : African art now / Chris Spring. - London : Laurence King Publishing, 2008.

Angola : figures de pouvoir / dir. Christiane Falgayrettes-Leveau . - Paris : Musée Dapper, cop. 2010.

Anthology of african art : the twentieth century / edited by N'Goné Fall and Jean Loup Pivin . New York : D.A.P.; Paris : Revue Noire Éditions, African Contemporary Art, cop. 2002.

Antologia da fotografia africana e do Oceano Índico / [ed. lit.] Pascal Martin Saint Léon, N'Goné Fall ; trad. Irène Ernest Dias... [et al.]. - [Paris] : Editions Revue Noire, D.L. 1998. - 432 p. : il. color. ; 32 cm. - Obra publicada por ocasião da exposição patente na Pinacoteca do Estado de São Paulo; exposição realizada em parceria com a Pinacoteca do Estado de São Paulo, a Editora Revue Noire, a Maison européenne de la photographie e a South African Gallery da África do Sul. - Contém índice, referências bibliográficas e dados biográficos dos fotógrafos representados.

Authentic Ex-Centric : conceptualism in contemporary african art / Salah M. Hassan, Olu Oguibe. - Ithaca : Forum for African Arts, cop. 2001. Obra publicada por ocasião da exposição "Authentic/Ex-centric : Africa in and out of Africa" patente no âmbito da 49a Bienal de Veneza, 2001.

Avenue Patrice Lumumba / Guy Tillim ; with texts by Robert Gardner and Guy Tillim.  Munich [etc.] : Prestel; Cambridge : Peabody Museum of Archaeology and Ethnology, 2008.

Bamako : a la ciutat i més enllà : VII Trobada Africana de Fotografia /  Barcelona : Centre de Cultura Contemorània de Barcelona, cop. 2009. Obra publicada por ocasião da exposição patente no Centre de Cultura Contemorània de Barcelona (Espanha), de 24 de Fev. a 11 de Junho de 2009

Bamako 03 : fotografia africana contemporània / dir. Pep Subirós. - Barcelona : Centre de Cultura Contemporània de Barcelona, cop. 2004.

David Goldblatt, photographs / introd. Martin Parr. - Roma : Contrasto, 2006. - 253 p. Obra publicada no âmbito da exposição David Goldblatt, patente em Arles, Rencontres internationales de la Photographie, em Winterhur no Fotomuseum, e em Milano - Forma - Centro Internazionale di Fotografia em 2007

David Goldblatt : südafrikanische fotografien, 1952-2006 / buchkonzept Martin Parr, David Goldblatt ; übersetzungen Martin Jaeggi. - Basel : Christoph Merian; Winterthur : Fotomuseum, cop. 2007.

El tiempo de África / concepto Simon Njami. Las Palmas de Gran Canaria : Centro Atlántico de Arte Moderno, cop. 2000. Obra publicada por ocasião da exposição organizada e patente no Centro Atlántico de Arte Moderno, Las palmas de Gra Canaria (Espanha), 12 Dez. 2000 a 4 Fev. 2001

Entangled : Annäherungen an zeitgenössische künstler aus Afrika = Approaching contemporary african artists / edited by Marjorie Jongbloed. -Hannover : Volkswagen Foundation, 2006.

Going home / Jodi Bieber ; trad. Sergio Rubira. – In Exit . - ISSN1577-2721 . - Madrid . - N. 32 (Out./Dez. 2008), p.52-71

In-sight : african photographers, 1940 to the present / curated by Clare Bell... [et al.] ; designed by Cara Galowitz ; [preface] Thomas Krens. - New York : Guggenheim Museum, cop. 1996. Fotógrafos lusófonos : Mody Sory Diallo, Meïssa Gaye, Ricardo Rangel

L'Afrique par elle-même : La photographie africaine de 1840 à nos jours. - In:Revue noire . - [Paris] . - N. 28 (mars-avril-mai 1998), p. 65-78.

Like a virgin... : Lucy Azubuike, Zanele Muholi / ed. by Bisi Silva ; text Christine Eyene, Bisi Silva. - Lagos : Centre for Contemporary Art, 2009.

Next flag : the african sniper reader / edited by Fernando Alvim, Heike Munder, Ulf Wuggenig.  Zürich : JRP, 2005. Obra publicada no âmbito do projecto "Next flag : reexistência cultural generalizada - an african sniper project for european spaces"

Olvida quién soy = Erase me from who I am / coord. Elvira Dyangani Ose ; fot. Nacho González ... [et al] ; trad. Dwight Porter e Juan Larrea. - Las Palmas : Centro Atlântico de Arte Moderno, 2006.

Personal affects : power and poetics in contemporary south african art / curated by David Brodie. ; with essays and interviews by Okwui Enwezor, Tracy Murinik, Liese van der Watt. - New York : Museum for African Art ; Cape Town : Spier, cop. 2004.

Pieter Hugo : the critical zone of engagement / Bronwyn Law-Viljon.  Fotógrafo vencedor da categoria "Retratos" da competição do World Press Photo 2006. . – In Aperture . -ISSN0003-6420 . - New York . - N. 186 (Spring 2007), p. 20-29

Reading the contemporary african art from theory to the marketplace / edited by Olu Oguibe and Okwui Enwezor. - London : inIVA, 1999.

South African intersections / David Goldblatt ; with an interview by Mark Haworth-Booth ; and essays by Christoph Danelzik-Bruggemann and Michael Stevenson. - Munich (etc.) : Prestel, cop. 2005.

The emerging self / Michelle Sank. - In:Katalog . - ISSN0904-2334 . - Odense, Denmark . - V. 13, n. 3 (Fall 2001), p. 14-19.

The end of the game : the last word from paradise : a pictorial documentation of the origins, history and prospects of the big game in Africa / Peter H. Beard. - Köln : Taschen, 2008.

The hyena & other men / Pieter Hugo ; with an essay by Adetokunbo Abiola. - Munich [etc.] : Prestel, 2007.

The outsider / Sean O'Toole. - In:Creative review . - London . - V. 25, n. 7 ( July 2005), p. 44-47 .

The transported of KwaNdebele / David Goldblatt ; trad. Babel 2000. – In Exit . - ISSN1577-2721 . - Madrid . - N. 32 (Out./Dez. 2008), p. 46-51

The view from Africa / [texts] Chimamanda Ngozi Adichie... [et al.] ; introd. John Kyle ; [ed. lit.] Ian Jack. - London : Granta, 2005.

Travesía / coord. Mari Carmen Rodríguez Quintana . Las Palmas de Gran Canaria : Centro Atlántico de Arte Moderno, 2008. -Obra publicada por ocasião da exposição patente no Centro Atlántico de Arte Moderno, Las Palmas de Gran Canaria (Espanha), de 17 de Out. de 2008 a 4 de Jan. de 2009.

Visionary Africa. Milano : Silvana ; Brussels : Bozar Books, 2010. - 3 v. : il. color. ; 29 cm. - Obra publicada no âmbito do Festival "Visionary Africa" realizado do Centre for Fine Arts e no Royal Museum for Central Africa, Bruxelas (Bélgica), de 30 de Maio a 26 de Set. 2010. 1o v.: African renaissances . - 2o v.: A useful dream : african photography, 1960-2010 / préf. Yves Leterme... [et al.]. - 187, [4] p. - Obra publicada por ocasião da exposição patente no Centre for Fine Arts, Bruxelas (Bélgica), de 26 de Junho a 26 de Set de 2010 . - 3o v: Geo-graphics : a map of art practices in Africa, past and present / David Adjaye ; ed. by Emiliano Battista... [et al.] ; transl. Michael Breslin... [et al.] ; proof. Ondina Granato, Joel Griffith, Raka Singh ; pref. Herman Van Rompuy... [et al.]. - 378, [6] p.

O Estado das Artes em África e na América do Sul: SESSÃO PÚBLICA do workshop a 12 de Maio!

(na foto: capa do jornal com download disponível aqui)

É já amanhã, dia 12 de Maio (das 9h30 às 17h30), que tem lugar no edifício-sede da Fundação Calouste Gulbenkian a sessão pública do 5º workshop de investigação e produção teórica do Programa Próximo Futuro, dedicado ao “Estado das Artes em África e na América do Sul”. Sendo este um programa centrado nestas regiões geográficas e nas diásporas dos países que delas fazem parte, pretende-se, assim, estudar e problematizar o estado das várias artes nestes países e nas suas diásporas, quer no que diz respeito às práticas artísticas, quer no que diz respeito às narrativas sobre as artes, em especial no período pós-independentista, muito diferente conforme os países e os continentes geográficos a que nos referimos.

O objectivo também passa por fazer um levantamento do sistema das artes no contexto dos mercados, das organizações de artistas, de formação e de distribuição. Durante o workshop serão referidos estudos de caso e haverá reflexões sobre a produção local e a sua internacionalização.

Para participar neste workshop, o Próximo Futuro tem como convidados:

E a entrada é livre!

CHILE-EUA-CABO VERDE-PORTUGAL: na rota de Magaly Ponce

Published10 May 2011

Tags cabo-verde chile eua instalação magaly ponce

Inaugura hoje às 18h, no Museu Nacional de História Natural, em Lisboa, a exposição InSight-s: Uma Instalação Multimédia em três Continentes da artista chilena MAGALY PONCE, produzida por Natércia Caneira com o apoio da Embaixada do Chile em Portugal.

No seu texto sobre esta instalação de Ponce, a directora da Sheldon Art Galleries em Sant Luis (EUA), Olivia Lahs Gonzales, explica:

Magaly Ponce explora a interacção entre a sua vida interior e a sua história pessoal num diálogo com a história das paisagens com que escolhe trabalhar e com o movimento de pessoas nesses cenários. O seu trabalho consiste geralmente de vídeos e instalações multimédia, por sua vez apoiado e reforçado na sua mensagem por meio da utilização de diversas formas de expressão incluindo a projecção, som, escultura, impressão digital, fotografia ou desenho. Nascida em Maria Elena, no Chile, uma cidade mineira de nitratos, situada no deserto de Atacama e que já não existe, as primeiras obras de Ponce versam sobre a complexidade de sentimentos por que passou enquanto crescia sob a influência de uma agressiva ditadura militar e do catolicismo – duas instituições poderosas que contribuíam fortemente para a promoção do medo e da autocensura. Ponce estudou Design Gráfico na Universidade de Valparaíso no Chile, onde ganhou a Bolsa de Vídeo Criatividade da Fundação Rockefeller, MacArthur e Lampadia. Desde que deixou o Chile em 1996 para estudar na Universidade de Syracuse, como bolseira da Fulbright, tem regressado frequentemente a casa para visitar a sua família e reflectir sobre a história de seu país e do seu papel dentro dele.

Deslocação, movimento e as complexas relações que as pessoas estabelecem com as paisagens em que vivem têm sido temas fundamentais nas investigações de Ponce, assim como questões sobre identidade, migração e exploração de recursos, tanto humanos como terrestres. No seu projecto mais recente intitulado InSight-s: Uma Instalação multimédia em três continentes, inspirado no historial baleeiro das zonas costeiras, Ponce que reside há cinco anos em Providance, Rhode Island, USA, concebeu uma exposição multimédia cumulativa que investiga variadas facetas sobre as baleias e sobre a sua exploração por parte dos sistemas económicos. Recriando a teia de ligações entre os baleeiros, baleias e os países que as caçam, Ponce apresenta a sua última exposição em vários locais em que a caça à baleia teve um papel central, incluindo Providence em Rhode Island, Praia em Cabo Verde e finalmente em Lisboa e nos Açores - Portugal.

A exposição reúne o trabalho de dois anos que Ponce desenvolveu com baleias ao largo de Plymouth, Massachusetts, contribuindo para a New England Coastal Wildlife Alliance (NEWCA), uma organização sem fins lucrativos que se dedica a proteger e conservar a fauna marinha, através do estabelecimento de um etograma sobre baleias desenvolvido para facilitar o estudo do comportamento especificamente das baleias Jubarte, e assim contribuir para a sua preservação.

Durante estes anos, ela trabalhou no Humpback Whale Ethogram Project, dirigido pela bióloga marinha Carol Carson, presidente do NECWA e  na Faculdade de Biologia do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Estatal de Bridgewater. A sua inspiração para realizar InSight-s  partiu do seu encontro com Carson na universidade, quando a bióloga lhe perguntou sobre a melhor forma de catalogar e digitalizar as 90 horas de vídeo captados sobre os hábitos desta espécie de baleia para um banco de dados pesquisáveis relativo ao comportamento das baleias. O etograma consistia em documentos fotográficos, mapas de localização geográfica, desenhos e vídeos do comportamento das baleias que então seriam organizadas num banco de dados de pesquisa. Ponce aceitou, juntamente com os seus alunos, participar no projecto e foi convidada a acompanhar a equipa numa missão de observação das baleias. Maravilhada com a sua dimensão e graciosidade, Ponce começou a investigar a história e diáspora da indústria baleeira e cedo se apercebeu que esta pesquisa se poderia tornar num projecto pessoal significativo.

De acordo com Ponce, a luz desempenha um papel importante na exposição, tanto metafórica como fisicamente. Esta serve não só para iluminar as peças da exposição, mas remete-nos também para os tempos em que as baleias eram importantes para a produção da iluminação antes da utilização do petróleo. Em meados do século XIX, o óleo da baleia e o seu impacto económico era provavelmente equivalente à importância que o petróleo assume na economia contemporânea. Em 1850, no auge da caça à baleia, o óleo atingiu o valor máximo de 2,50 dólares por galão. Outro tipo de luz– empregue nos vídeos de imagens em movimento – é igualmente utilizado na exposição, neste caso com o objectivo de chamar o espectador para um envolvimento mais imediato na temática, mas de uma forma mais directa. A filmagem presente na exposição deriva do trabalho acumulado durante o Verão e Outono de 2009 e da Primavera e Verão de 2010, quando Ponce colaborou nas pesquisas desenvolvidas pelo NEWCA. Ao reintegrar vídeos científicos numa abordagem artística, Ponce baseia a sua instalação na realidade vivida, criando assim uma forte declaração sobre o valor e fragilidade destes animais.

Tomadas como um todo, as partes individuais da exposição mergulham o espectador numa experiência poética relativa à interacção entre seres humanos e baleias. Ao envolver o seu público com uma variedade de materiais e técnicas, algumas fundamentadas no presente, outras no passado, algumas na ciência, e outras ligadas ao uso da metáfora artística, Ponce estimula-nos ajudando-nos a entender a sua matéria de investigação sem o fazer de forma dogmática ou com didactismo. O trabalho é eficaz em demonstrar a complexidade destes mamíferos marinhos e do seu historial com os humanos, reforçando o seu poder e mistério oferecendo simultaneamente uma variedade de imagens enriquecidas de poética e conteúdos.

Haverá uma mesa-redonda a 26 de Maio (às 19h, no Museu) e a exposição estará aberta ao público até 31 Julho de 2011.

Outros links úteis aquiaqui e também aqui.

Lúcia Marques

pelo mercado Tunga N'go em Angola...

 

Uma visita ao mercado Tunga N'go em Angola através das fotografias e escrita de Anja Mutic, no seu EverTheNomad blog.

Agora em LISBOA, com MAURO PINTO

Imagem da primeira exposição individual de MAURO PINTO em Portugal e que inaugura no próximo dia 14 de Maio, às 18h00, na galeria Influx Contemporary Art

Eis texto pelo curador e artista moçambicano Jorge Dias:

’MAPUTO – LUANDA - LUBUMBASHI’

Em 2005, quando Mauro Pinto apresentou em Maputo o projecto “Portos de Convergência”, o público do Centro Cultural Franco-Moçambicano (e, mais tarde, do Museu Nacional de Arte) teve a oportunidade de testemunhar as extraordinárias imagens dos portos comerciais de Maputo e Luanda. Era a apresentação de um... trabalho que se iniciava ali mas que mostrava já ser muito ambicioso. Mais do que expôr fragmentos de lugares, tratava-se de tornar estes lugares em pontos de partida.

‘MAPUTO - LUANDA – LUBUMBASHI’ sem se inserir directamente neste projecto, decorre dele e reúne três séries que resultam da negociação entre o fotógrafo e a privacidade dos sujeitos, dos espaços e dos elementos fotografados. A exposição traz-nos imagens de lugares que foram outrora palco de migrações massivas e brutais relacionadas com o comércio de escravos Africanos, imagens de lugares maltratados e desgastados pelo tempo mas também outras imagens melancólicas, quase intimistas, de interiores de habitações e espaços comerciais.

Uma das fotografias a cores mostra-nos o interior de uma barbearia. Vários elementos articulam esta imagem: o jogo dos espelhos, os cartazes de alguns ídolos da música e do futebol, a iluminação e, por fim, as pessoas, que posam, num cenário que já estava montado.

Já as séries ‘Maputo’ e ‘Luanda’, revelam um outro lado do trabalho do fotógrafo. Recorrendo à fotografia analógica a preto e branco, abandonada por muitos fotógrafos em Maputo, e claramente influenciado por Ricardo Rangel, Mauro Pinto adopta um discurso mais conscientemente crítico. A fotografia das “Divas Africanas” ou a dos bairros pobres reflectem realidades sociais distintas, mas é notória a opção por fotografar os mais frágeis assumindo-se aqui claramente o artista como um porta-voz.

Mauro Pinto traz tudo isto para o seu trabalho, sem compromissos e sem intenção de reconstrução histórica. Imagens por vezes provocantes e sempre artisticamente inspiradoras e uma enorme capacidade de realçar o contraste, de capturar o real, a essência, o espaço, fazem da sua fotografia um caso ímpar em Moçambique.

Jorge Dias

Artista Plástico, Curador

Moçambique

Mais links para conhecer a obra de MAURO PINTO, um dos mais talentosos fotógrafos moçambicanos da actualidade, aqui, aqui, aqui e aqui (para começar...)!

Lúcia Marques

Figures & Fictions: CONTEMPORARY SOUTH AFRICAN PHOTOGRAPHY

Uma grande e actual exposição de fotografia de autores da África do Sul no Victoria & Albert Museum pode ser vista até 17 de Julho. É a primeira exposição sobre fotografia contemporânea sul-africana apresentada no Reino Unido neste século. Reúne cerca de 150 obras de 17 fotógrafos e tem contributos textuais dos mais importantes teóricos e especialistas da fotografia sul-africana como Tamar Garb e Federica Angelucci (presente no Próximo Futuro dia 12 de Maio no contexto do Workshop de Investigação "O Estado das Artes em África e na América do Sul").

A exposição é apresentada como uma exposição de fotografia no contexto pós-apartheid, reunindo várias abordagens e estilos. Refere-se a presença de fotógrafos consagrados como David Goldblatt e Santu Mofokeng, bem como a nova geração representada por Zanele Muholi e a parceria Hasan & Husain Essop. Se há um traço comum a estes fotógrafos é o seu compromisso político assumido quer seja através da fotografia documental, quer da explícita fotografia de arte.

Para todos aqueles que têm acompanhado as actividades do Fórum Cultural "O Estado do Mundo" ou o Programa Próximo Futuro são muitos os fotógrafos aqui representados que já foram expostos nestes dois Programas Gulbenkian.

Mais informações aqui e entrevistas com os fotógrafos no V&A Channel.

APR

24 minutos imperdíveis com o uruguaio Eduardo Galeano

Published4 May 2011

Tags eduardo galeano escritor uruguai

Programa "Sangue Latino" (Canal Brasil) apresentado por Eric Nepomuceno, gravado em 2009 com o também jornalista e escritor Eduardo Galeano (n. 1940, Montevidéu/URUGUAI), autor de As Veias Abertas da América Latina.

"Fronteiras, Bamako, Gulbenkian", por Alexandre Pomar

Artigo de ALEXANDRE POMAR, "Intelligent Life", Primavera 2011, pág. 12.

"Que Ghana"! DJ Lyndon Barry: 13 de Maio, BAILE NA GARAGEM da Gulbenkian!

Published3 May 2011

Tags baile ghana lyndon barry

"QUE GHANA", via DJ Lyndon Barry, que no próximo dia 13 de Maio animará o BAILE NA GARAGEM (da Gulbenkian)! Entrada livre!

"Arriscar aquilo que abre caminhos": conversa com o programador-geral do PRÓXIMO FUTURO

Breve vislumbre do artigo "Arriscar aquilo que abre caminhos, conversa com António Pinto Ribeiro", por Marta Lança no BUALA.

ML: Como passa da dança para as questões interculturais e pós-coloniais?

APR: A relação não é directa nem casual. Acontece que, depois da minha formação em Filosofia e em especial Estética, fui convidado para criar um campo de estudos teóricos na recentíssima Escola Superior de Dança. Aceitei e pensei “vamos lá estudar”. E foram anos de leituras compulsivas sobre tudo o que havia sobre dança, corpo, coreografia. Poderia ter sido cinema, literatura, artes visuais, teatro que foram sempre áreas do meu interesse. A dança funcionou durante anos como a ponta de um iceberg. Depois, uma enorme curiosidade que me é própria, levou-me a ver espectáculos, filmes, concertos que não eram necessariamente da tradição ocidental e branca, o fascínio pelo continente africano e pelas questões de cultura e de ideologia a elas associadas conduziram-me ao multiculturalismo; inicialmente, diga-se, de uma forma muito inocente.

ML: É o seu método de trabalho, uma curiosidade de abertura ao mundo?

APR: Mais do que método, é uma forma de estar que tem consequências muito produtivas. Mas também estou em crer que, a determinada altura, uma certa fisicalidade e corporalidade presentes nestas experiências evocaram a minha infância e adolescência em África, o que me motivaria a revisitar alguns países africanos.

(...)

ML: E parece-me que incluir reflexão e não apenas divulgação é uma linha muito sua… Sempre se interessou por cruzar o mundo teórico com propostas artísticas?

APR: Acho essencial, em todas as instituições, que a linha de programação seja comunicada. No meu entender a programação cultural decorre de um contrato entre os públicos e os artistas ou os autores. O programador é um mediador mas, nesse contrato que faz, deve anunciar aos parceiros a sua missão, as suas opções e a razão das mesmas. A programação cultural baseia-se numa linha de argumentação cujo destinatário é um auditório tendencialmente universal. Por outro lado, os públicos devem ter acesso a chaves de aproximação ao que lhes é apresentado, o seu modo original de produção, se já foi apresentado noutro contexto, etc. Torna tudo muito mais claro e resgata a legitimidade que não se tem se não for devidamente informado. Isso pode ser feito de forma interessante e criativa. A programação cultural é uma actividade fascinante que tem tanto de risco como de fruição e de partilha raras. Mas exige uma atenção permanente e um cuidado com os públicos, artistas, formadores de massa crítica e uma vigilância permanente sobre o poder que se adquire nesta actividade. É fulcral uma auto-crítica permanente que não permita que se substitua ao artista nem ao público, sem contudo ceder a gostos massificadores ou à pressão daqueles que acham que representam os artistas.

(...)

ML: O que é para si a verdadeira interculturalidade? 

APR: No mais vasto conceito, a interculturalidade pode constituir uma estratégia de negociação cultural que conduz à construção de um projecto político de transformação das sociedades multiculturais. E alguns equívocos ou afirmações demagógicas são desde já de evitar. O primeiro de todos é o de que a cultura e pela cultura se resolvem os conflitos e os antagonismos. Nada de mais errado. A cultura pode constituir uma plataforma de aproximação, um modo negocial, mas nunca resolverá os grandes antagonismos, as grandes diferenças de interesses. Em caso algum, devemos pois deslocar para a cultura os problemas específicos das esferas da política, da economia e da religião. O segundo equívoco é pensar que a cultura é um bem e que, per si, contagia de bondade toda a acção humana. No que uma estratégia intercultural pode ser útil é no esclarecimento, tornando claros os conflitos e as suas razões, mas nem sempre eliminando-os. Aliás, a interculturalidade não pressupõe um reino definitivo da paz, inclui sim a possibilidade de tensão desejavelmente produtiva. Um último equívoco que se coloca é o que tende a divorciar os fundamentos culturais dos religiosos ou, pelo contrário, reduzir ao religioso. Desde T.S. Elliot pelo menos, que devemos saber que as culturas estão impregnadas de religião, o que se reflecte na produção cultural. E é assim que podemos falar de uma cultura cristã, presente mesmo em autores laicos, ou de artistas hindus e que, portanto, a interculturalidade transporta sempre traços de interreligiosidade.

Um quarto é aquele que concebe o interculturalismo como um diálogo entre blocos culturais homogéneos, em que todos os membros de uma cultura se identificam de uma forma absoluta. Na verdade, não existem blocos culturais homogéneos, e na mesma região cultural há ricos e pobres, mulheres e homens. E as pessoas identificam-se e agrupam-se também por clubes, orientações sexuais, associações profissionais, o que permite, por um lado, estabelecer pontes de comunicação entre regiões culturais diferentes e, por outro, encontrar fissuras entre membros das mesmas regiões.

A interculturalidade não é, pois, uma ideologia. Como estratégia, é uma forma inovadora de conviver e co-habitar nas sociedades contemporâneas, com a diversidade de grupos culturais e étnicos. De algum modo, é o estado mais evoluído da democracia mas, tal como esta, exige uma construção permanente e diária. É importante reconhecer igualmente que a interculturalidade faz-se a partir de vários pontos de partida, e não pode resultar de uma legislação ou normatização regrada apenas pela comunidade que acolhe. Supõe, por isso, uma negociação cultural cujo limite é a rejeição de todo e qualquer sofrimento infringido a alguém, a exclusão social, religiosa ou sexual.

Finalmente, tanto ou mais importante do que o já existente património cultural das diásporas, é admitir e até estimular a combinação cultural e o sincretismo que constituem o melhor índice de interculturalidade contemporânea. Só uma prática cultural e um programa político que combata o ressentimento face ao passado e privilegie o futuro tem a ver com a interculturalidade e a sua prática.

(...)

ML: Os Centros Culturais, provenientes do período cultural, enquanto mecanismos de controlo, de representações nacionalistas e promoção da língua, em alguns casos conseguiram transformar-se em plataformas interessantes de produção articuladas com artistas locais, mas é muito raro, porquê?

APR: O que acontece na maior parte das situações em África é que os grandes centros culturais das cidades são a única coisa que existe, então a responsabilidade é grande. Depende muito do director do centro: quando as pessoas são activas, interessadas, inteligentes, cultas as coisas correm bem. São as únicas plataformas possíveis de entendimento entre os artistas e intelectuais que lá se encontram e o lugar para apresentar produção local. Acho fulcral que os Centros Culturais Portugueses, por exemplo, possam apresentar programações de França ou Itália como o reverso também deve ser válido pois, afinal, são o lugar de apresentação das produções africanas. Não é o que acontece, normalmente sã o coisas bacocas, nacionalistas e anacrónicas. Nos casos dos Centros Portugueses as pessoas estão lá há 15 anos sem relação com a cultura contemporânea portuguesa a representar uma portugalidade que só existe na cabeça deles, e sempre se sentiram estranhos no país onde estão. Com excepções, é certo.

ML: Isto parte de um problema maior de não haver articulação, nem estratégia, nem investimento. Como experiências interessantes, refere o caso da política cultural brasileira. O que temos a aprender com o Brasil nesse capítulo?

APR: Imenso, a capacidade que eles tiveram de criar organizações intermédias entre as grandes instituições e o nada. Os Pontos de Cultura foram das coisas mais interessantes pois correspondem à escala do lugar onde foram instalados, às necessidades com um elevado grau de exigência.

(...)

ML: Voltando à sua programação, continua a equilibrar a produção europeia com estes estímulos de fora, que nos fazem repensar o nosso próprio esgotamento criativo.

APR: Acho que é muito estimulante. Houve uma fase em que a programação era para dar visibilidade a produções não europeias que mereciam ser vistas. Essa fase foi bem cumprida. Mas queria que concebêssemos como um lugar em que se criasse coisas novas a partir do que já foi a sua História, já não se trata de montra e mostra, implica ter um público e comunidade de artistas que olhe para isto de uma maneira diferente. Estou muito grato com o facto de o jardim Gulbenkian se ter tornado lugar de deleite de chineses, ucranianos, e que pessoas muito jovens tenham perdido o medo de frequentar lugares de cultura. 

(...)

[ver artigo completo aqui]

Sobre a morte de Ernesto Sabato

Sobre a morte de Ernesto Sabato, "um clássico da literatura argentina", aqui.